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Quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Amor Destrutivo é Amor?

Você conhece os personagens Clara e Gael da Novela O Outro Lado do Paraíso da vida real?

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Ao longo desses anos todos trabalhando com comportamento humano (principalmente com o meu), um fato me chama muito a atenção - Em se tratando de relacionamento afetivo, tenho tido a impressão de que é mais fácil nos conformarmos com a perda de alguém pela morte do que pelo rompimento do relacionamento.

Mas você dever estar tentando imaginar de onde eu tirei esse pensamento maluco. Vou tentar explicar minha opinião, mas saiba, essa é apenas a minha opinião, baseada em minha experiência e nas inúmeras queixas de pessoas que eu trato em terapia.

É que eu tenho observado ao longo dos anos que quando alguém perde um companheiro ou uma companheira pela morte, o período de tristeza e de paralisia emocional tende a ser bem menor do que quando a pessoa é deixada.

Eu tenho me surpreendido com o fato de "viúvos frescos" logo iniciarem um novo relacionamento, por mais perfeito que tenha sido a relação com a pessoa amada que se foi e que as pessoas que são deixadas por outro motivo ficam muito mais tempo na "viuvez".

E eu já ouvi mais de uma vez a seguinte frase de pessoas que foram deixadas: "Se ele(a) tivesse morrido, ao menos teria uma explicação!". Também tenho observado que após um relacionamento que não tenha dado certo, muitas pessoas passam o resto de suas vidas sem terem ninguém.

Parece maluco né? Mas não ache que isso seja maluquice; tenha a mais absoluta certeza! Brincadeira, pois a explicação está na maneira com a qual os nossos comportamentos são estruturados ao longo da nossa história.

Vou descrever aqui uma das infinitas possiblidades desse tipo de ocorrência. Quero enfatizar que em PNL não acreditamos em diagnósticos, mas sim numa história que foi interpretada de maneira única a qual se generalizou, passando a atuar de forma automática em contextos específicos.

Vou organizar em tópicos para tentar ser didático:

 

  1. O ser humano tende a supervalorizar os comportamentos que lhe foram familiares ao longo da vida. Por exemplo, ter sido criada à base da intimidação e da crítica te levará a se apaixonar por uma pessoa que seja intimidadora e crítica. E como esse tipo de comportamento funcionou muito bem para te manter dependente da pessoa que te criou, você terá a percepção de dependência da cara metade que também age assim. Aliás, você escolhe essa personalidade através de seus processos inconscientes.
  2. Quando você era criança, a intimidação e a crítica ficaram associadas ao um dos maiores dramas da criança, que é o de não frustrar os pais, porque frustrar os pais, na mente de uma criança funciona como sinônimo de ser deixada (opa! isso dá alguma pista?). E para a criança, o pensamento de ser deixada é sinônimo de vida ou morte.
  3. Então, quando adulta ela cruza com alguém com a personalidade similar de quem a criou e a qual tenha sido mais impactante sobre suas emoções, ela cria dependência, que nas horas vagas é chamada de paixão.
  4. E a partir daí, em muitas situações, ninguém entende mais nada. A pessoa te faz sofrer, mas você não consegue viver sem ela. Essa era exatamente a reação comportamental que a criança do contexto que estamos abordando aqui tinha e que se generalizou.
  5. Então, você pode até tomar uma decisão racional de se posicionar, mas quando a outra pessoa a ameaça, você desaba, pois o ato dela disparou um gatilho que trouxe toda a reação emocional desesperadora de você, criança.
  6. Então os conflitos vão aumentando e passa a existir a tentativa de segurar o relacionamento na unha e no grito. Existem muitas músicas inspiradas do "entre tapas e beijos".
  7. E se a pessoa vai embora definitivamente, elicia-se o desespero de uma criança que foi abandonada pelo pai ou pela mãe e que não conseguia sobreviver sozinha.

Faz sentido essa explicação para você? É claro, sempre temos que tratar tudo de modo individual, mas existem muitos casos assim.

Então, o "luto" por ter sido deixada pela ruptura é algo que "não tem explicação" para a pessoa. Na verdade, o que não tem explicação é a briga que a pessoa tem entre o seu desejo consciente e o seu comportamento inconsciente.

Conscientemente ela sabe que é bem melhor não estar com aquela pessoa, mas a sua história desde a infância a coloca emocionalmente dependente do mardito.

Como resolver a questão? Também vou responder em tópicos:

  1. Cesse as tentativas de tomar uma decisão consciente.
  2. Procure um ótimo profissional que saiba tratar o processo inconsciente e não fique discutindo o sexo dos anjos ao longo de anos de terapia.
  3. Esse profissional irá desvincular da sua mente inconsciente os significados emocionais de sua história do momento presente.
  4. Esse profissional irá te fortalecer e você irá adquirir segurança, elevada autoestima e consequentemente, brilho.
  5. E você então conseguirá neutralizar a dependência do "coisa ruim" e escolher personalidades mais compatível com uma relação equilibrada.
  6. E se você estiver fortalecido, o seu poder pessoal se elevará e a cara metade o (a) respeitará muito, e você conseguirá exercer as influências para a obtenção do relacionamento respeitoso. 
  7. Ou ficará muito bem sem ele (ou ela).

É claro que "coisa ruim" não existe. Todas as personalidades são expressões do processo de criação das pessoas. Grande parte dos seres humanos, na infância, é muito mais desorientada emocionalmente do que orientada. As consequências permanecem pelo resto de nossas vidas caso não conheçamos processos de mudanças reais.

E deve ter ficado uma dúvida aí na sua cabeça - por qual motivo a pessoa que perde alguém por morte se vincula logo a outra? Resposta: Porque nesse caso não existe a esperança da volta e então a única ação é buscar o suprimento da afetividade em outra pessoa.

Espero que essas explicações te ajudem a compreender determinadas situações.

Uma ótima semana e forte abraço!

Mauricio Magagna
Master Trainer - PNL

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