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Segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Empresas Reféns

"Se perdermos esse empregado estaremos na roça. Ele domina todo o processo e se for embora...."

Tal situação é uma velha conhecida nossa. É o que chamamos de "empresas reféns".

Normalmente se revela durante a implantação de novas metodologias de gestão, quando verificamos fortes resistências por parte de alguns gestores.

É quando recomendamos a retirada dessa pessoa do cargo de comando, pois caso exista tolerância com a resistência, o novo projeto estará desmoralizado. E também é nesse instante que o dirigente que nos contratou entra em parafuso.

Aliás, está aí a explicação da situação de empresas com muitas iniciativas e poucas terminativas.

O contexto dessa abordagem é predominante. A tecnologia fica concentrada na cabeça de pouquíssimos, que habitualmente são aqueles com muito tempo de casa.

Associado à sensação de dependência que os dirigentes têm com relação a esse empregado, as empresas convivem com uma infinidade de obstáculos.

E problemas em excesso colocam todo mundo na correria ocasionada pelo problema e ninguém na eliminação das causas fundamentais.

Como resolver?

Resposta: Processos!

Tenho um amigo que mora na Alemanha. Foi para lá para estudar e para pagar suas despesas, arrumou emprego no McDonald's. Ele me disse que foi treinado em dois dias e no terceiro já se sentia apto e seguro para desempenhar suas funções. E os membros da equipe do Mc executam multifunções.

E está aí um dos motivos que possibilitaram a existência de mais de 30.000 lojas espalhadas pelo mundo, praticamente em todos os países, com um nível de padronização invejável (perceba o leitor que não estou tratando de qualidade de atendimento aqui, mas sim, rapidez).

A própria história do McDonald's vale por um curso de MBA completo: A idéia do "fast-food" no estilo Mc foi dos irmãos Mcdonald, entretanto enquanto o negócio estava unicamente nas mãos dos dois, não progrediu muito. Não passaram de três lojas.

Somente quando receberam um terceiro sócio, que teve a percepção de que a idéia era genial, mas que pecavam com relação aos conceitos de padronização e com recursos simples para treinar rapidamente os colaboradores, é que o negócio explodiu.

Os irmãos McDonald eram donos de restaurante com uma idéia genial (empreendedores) e não gestores. Os processos da organização são muito bem descritos e vão até o detalhamento mais minucioso do modo de se fazer as coisas.

E é isso que permite o treinamento rápido dos novos empregados. Em poucas horas já estão aptos a gerar lucro para a organização.

No caso das empresas reféns, dizemos que a tecnologia está na cabeça de poucas pessoas.

No caso da existência e utilização intensa dos processos, a tecnologia é da empresa.

A falta de visão da maioria dos dirigentes de organizações quanto aos processos é que determina essa falsa dependência.

Existindo processos descritos de modo claro e simples, contratando-se pelo perfil, e não pelo currículo, é possível determinar um ritmo acelerado de crescimento da organização, sem perda da qualidade. Esse que é o tal de mapeamento dos processos.

Afirmamos que um grande equívoco por parte dos dirigentes das organizações está em considerar o empregado que retém os conhecimentos como sendo o herói da empresa. Ele, na verdade, é que impede o crescimento do negócio (e adora, exatamente por se sentir o herói).

E onde cabem processos? Em todos os lugares onde existem tarefas rotineiras. Portanto, em todos os tipos de atividades.

Um dos escritórios de advocacia mais conceituados do Brasil possui um engenheiro de produção no seu quadro, para se dedicar ao desenho e sistematização dos processos internos (quer mais que isso?).

Vamos avaliar um contraponto: A imensa maioria das empresas que possuem certificação de ISO no Brasil, na realidade não pratica ISO. A certificação aqui virou apenas teoria. Para nós, da 4M, não significa nada uma empresa apenas possuir certificação.

Possuir ISO e não por em prática é a maior manifestação de estreiteza de visão por parte dos dirigentes, pois estão com uma Ferrari nas mãos, mas não sabem dirigir!

A primeira etapa do nosso trabalho de consultoria é mapear os processos. Nesse momento entregamos para a empresa a tecnologia que estava na cabeça de uns dois ou três.

Foi esse contexto dominante que nos levou a estruturar e oferecer aos dirigentes e gestores o curso "Organizando Para Crescer E Lucrar", em módulos I e II, onde abordamos os conceitos de processos, projetos e o modo correto de utilizá-los, sem a dependência de consultorias.

Uma ótima semana!!!
Mauricio Magagna

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