Nos últimos anos vimos o surgimento de inúmeros cursos de MBA ou de especializações nas áreas de gestão.
Mesmo assim, no exercício dos nossos trabalhos de consultoria, convivemos com as mesmas dificuldades de sempre, que é encontrar bons gestores para recomendarmos aos nossos clientes.
Muitos cursos de MBA ou de especializações e ao mesmo tempo escassez de bons gestores no mercado - como diriam os economistas, essa é uma conta que não fecha. O assunto merece uma atenção mais apurada.
Primeiramente, cabe explicar que não estamos nos fundamentando em alguma análise estatística sobre a quantidade de competências gerenciais que estão surgindo nos últimos tempos, mas sim nas dificuldades encontradas no exercício do nosso próprio trabalho.
Durante o desenvolvimento das atividades de consultoria que realizamos para várias Organizações, sempre chega o momento em que avaliamos o perfil profissional das pessoas em postos de comando e, em algumas oportunidades, temos que sugerir a substituição de parcela desses gestores.
É quando constatamos que a quantidade de pessoas devidamente preparadas não mudou muito, comparando com a época em que MBA era "coisa de luxo".
Não temos a intenção de entrarmos no mérito da qualidade dessa infinidade de novos cursos que estão surgindo, apesar das evidências de que a massificação, da forma como está ocorrendo é sinônimo da derrocada da qualidade.
Vamos admitir que os conteúdos dos cursos de MBA e especializações realmente habilitem os seus alunos com todas as ferramentas fundamentais para a boa prática de gestão. O que explicaria então a predominância de empresas com gerenciamento beirando o caos?
Nós, da 4M, consideramos empresas com problemas de gestão aquelas que possuem sintomas do tipo:
- Elevado retrabalho;
- Atrasos nas entregas;
- Todos se dedicando às atividades "tarefeiras" e praticamente ninguém dando atenção para o estratégico;
- Todos trabalhando em excesso, mas com a predominância da frustração, pois passam os dias se dedicando aos problemas e não às melhorias;
- Estresse generalizado;
- Todos procuram culpados, mas ninguém pode ser responsabilizado com boa margem de segurança, pois não existem ou são inconsistentes os indicadores utilizados;
- Depois de um dia desgastante e pesado, a sensação de que amanhã poderá acontecer tudo de novo, ou pior;
- Que falar em planejamento é algo quase que inconveniente. Muito menos então, perseguir a conquista do planejado;
- Resultados financeiros sempre abaixo do esperado;
- Outros.
Caso o ambiente corporativo em que você vive não tem nada em comum com os sintomas que descrevemos acima, esse artigo não é para você. Parabéns! Provavelmente a sua Organização está entre as que compõem os 30% das empresas que possuem sustentabilidade no seu crescimento.
No entanto, caso você conviva com alguns dos sintomas descritos, é pelo fato de deficiências de gestão. E tais deficiências se iniciam no topo.
Essa empresa precisa ser gerida, de duas formas, e na seguinte ordem:
- Organizem o tático, antes de se atreverem a crescerem;
- Sejam organizados para a conquista do estratégico, depois que organizarem o tático.
Essas duas recomendações podem ser atendidas através da utilização sistemática de meia dúzia de ferramentas de gestão que podem ser incorporadas em algumas horas de treinamentos.
É claro que nos conteúdos programáticos dos cursos de MBA é abordado muito mais que isso.
Onde está o problema então?
Novamente afirmamos: na falta de conhecimento das habilidades comportamentais que são necessárias para a implementação de qualquer tipo de melhoria.
Somos cientes sobre a enorme quantidade de iniciativas para implantação de vários tipos de programas, como gestão através dos processos, gestão pela qualidade, 5S, IS0, etc. No início, muito barulho e empolgação, para tudo se acabar em alguns poucos dias.
Quase que a totalidade dos cursos de especialização procurados pelos gestores versam sobre técnicas de gestão e ficam longe da abordagem sobre comportamento.
Talvez esteja aí a explicação do fato de continuarmos carentes de gestores, em meio a um mar de cursos de especialização. Eles não formam líderes. A maioria das empresas está sofrendo os efeitos de um fenômeno chamado de subgerenciamento.
A criação das condições corporativas para a organização das empresas, de acordo com a nossa visão, foi tratada nos cinco últimos artigos, que denominamos "Por Quais Motivos as Pessoas Deixam a Empresa".
Pelo lado dos gestores, recomendamos darem atenção aos aspectos comportamentais da liderança, buscando cursos que realmente os auxiliem a identificarem as restrições que os dificultam exercitarem o comando e obterem os recursos necessários.
Novamente: Liderança é obtida pelo comportamento apropriado e não pelo conhecimento técnico.
Uma ótima semana a todos!!!
Maurício Magagna